Mídia chama atenção para processo de desindustrialização

A participação da indústria no PIB brasileiro recuou aos níveis de 1956, ano em que o presidente Juscelino Kubitschek (1902-1976) deu impulso à industrialização do país ao lançar seu Plano […]

A participação da indústria no PIB brasileiro recuou aos níveis de 1956, ano em que o presidente Juscelino Kubitschek (1902-1976) deu impulso à industrialização do país ao lançar seu Plano de Metas, que prometia fazer o Brasil avançar “50 anos em 5”. A informação foi divulgada em reportagem de Agnaldo Brito, publicada na Folha de São Paulo em 09 de março.
 
Conforme a reportagem, no ano passado, a indústria de transformação representou apenas 14,6% do PIB. O patamar foi menor só em 1956, quando a indústria respondeu por 13,8% do PIB. Abatida pelos efeitos da inflação alta e da crise externa, a economia brasileira cresceu apenas 2,7%em 2011, segundo dados divulgados pelo IBGE em 06 de março.
 
O PIB per capita ficou em R$ 21.252, uma alta real (ou seja, acima da inflação) de 1,8% em relação a 2010. (Fonte: Folha.com)
 
Se o processo de desindustrialização preocupa os empresários brasileiros é com razão. O IPEA, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada divulgou no dia 15 de março que “a falta de uma estratégia nacional de desenvolvimento está contribuindo para acabar com o setor industrial do país, sobretudo, o da indústria de transformação”. A afirmação está baseada em um estudo que utilizou os dados do IBGE e que chama a atenção para a forte queda na produção da indústria de transformação. Um dos gráficos mostra que, entre 2008 e 2011, enquanto o setor financeiro cresceu 23,1%, a extração mineral cresceu 12,8% e o desempenho da indústria de transformação caiu 5,7%.
 
A conclusão do IPEA consta do boletim Conjuntura em Foco. O Instituto aponta que a falta de uma estratégia para o setor e de investimento em infraestrutura acentua o processo atual de desindustrialização precoce no Brasil. De acordo com o coordenador do estudo, Roberto Messenberg, a falta de dinamismo e competitividade industrial está favorecendo o crescimento do peso relativo de serviços de má qualidade no Brasil e criando uma economia ruim. “Acho que o governo está lidando com alguns aspectos do problema de maneira muito pontual, com efeitos de curto prazo. O setor público precisa organizar o processo de investimentos da economia. Em alguns setores, ele mesmo pode investir, em outros, fazer a concessão, criar as normas de exploração. Enfim, ele precisa de uma estratégia. Está faltando esse processo de socialização da decisão de investimento”.
 
O IPEA também ressalta que o déficit da balança comercial de produtos manufaturados, entre janeiro de 2011 e janeiro de 2012, ficou em US$ 94,3 bilhões.

“Enquanto discutimos ideias, países como os Estados Unidos já estão testando alternativas sustentáveis de desenvolvimento, como no setor energético, por exemplo. É preciso agir, antes que façam uma verdadeira queimada da indústria brasileira”, concluiu Messemberg.

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